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A moral e a vida social - Luiz Claudio Tonchis

Enviado por Gilberto Godoy
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     A vida em sociedade e as consequentes inter-relações pessoais exigem a formulação de regras de conduta que disciplinem a interação entre as pessoas, tem o objetivo de alcançar o bem comum, a paz e a organização social. Tais regras, chamadas normas éticas ou de conduta, podem ser de natureza moral, religiosa e jurídica.

     A moral particular, isto é, a responsabilidade de cada indivíduo, tem como objetivo a aplicação dos princípios universais da moralidade, o que uma determinada sociedade estabelece como bem ou mal, certo ou errado, o proibido e o permitido. A ideia de bem ou mal só existe a partir do outro, ou seja, são os outros que me revelam o comportamento adequado. Assim, a moralidade pressupõe a existência de relações entre pessoas.

     Outro fato a se destacar é a respeito da moral e a sua universalidade. Ou seja, mesmo que exista uma relatividade do que é certo ou errado, que em certa medida, as culturas podem criar regras diferentes de uma sociedade para outra, ninguém pretende estar “fora ou acima do bem e do mal”. Isto quer dizer que toda sociedade cria regras definidas do que é permitido e proibido. Até dentro de uma penitenciaria existem regras morais, ou seja, o que aceitável e inaceitável.

     Por que, aliás, ética e não moral? Impõem-se aqui algumas definições, suficientemente abertas e flexíveis, para não congelar, desde o princípio, a análise.

     A etimologia não poderia nos guiar nessa tarefa: ta êthé (em grego, os costumes) e Moraes (em latim, hábitos) possuem assim, muitas semelhanças. Contudo, apesar deste paradoxo que a análise etimológica nos revela, há que operar uma distinção entre a ética e a moral. A primeira é mais teórica que a segunda, pretende-se mais voltada a uma reflexão sobre os fundamentos da segunda.

     Assim, poderíamos dizer que a ética é a reflexão sobre o melhor modo de agir de acordo com as circunstâncias. Já a moral, esta voltada para o cumprimento das regras que a sociedade adota como certo ou errado.

     Tanto a moral como a ética possui uma relação intrínseca, uma está ligada a outra e ambas são inseparáveis da vida social. Ela tanto emerge como é construída na vida social. Desta forma, surge uma pergunta: Onde se aprendem as regras da moral? Onde se aprende a reflexão ética? Ambas são construídas na própria sociedade, pela educação. É, através da educação que adquirimos os hábitos úteis e desejáveis para agir no bem, onde se aprende a exercer o domínio sobre o mundo, tanto interior como exterior. A educação aproxima os homens aos quadros da vida, fornecendo-lhe os meios que lhe permitem cumprir e refletir sobre a melhor forma de agir.

     No entanto, aproximar os homens aos ideais de vida pela educação, não significa que os problemas morais sejam resolvidos. O homem, não é mero produto da sociedade, apesar de ser imensa a influência que sobre ele exerce o meio social. Em todo homem existe um núcleo de sua personalidade que é autônomo, livre e irredutível e que a educação não basta, não dá conta. Desta forma, temos que reconhecer que os ditames da consciência apresentam certas variações resultantes do caráter subjetivo do ser humano.

     Outra pergunta seria fundamental para entendemos a ética. Por que, muitas vezes, agimos imoralmente? O problema é que praticar um ato imoral pode me dar prazer, e se não fosse assim, ninguém praticaria. Nenhum um homem em sã consciência praticaria um ato livre por si indesejável.

     Por outro lado, adquirimos pela educação a consciência moral, que é internalizada e nela revela o sentimento de culpa. A culpabilidade é um sentimento do indivíduo com consciência de ter cometido um ato imoral, e é manifestado numa espécie de angústia.

     Somente através de uma reflexão rigorosa, pensando bem antes de agir e nos eventuais efeitos da ação é possível evitar a angústia de ter praticado um ato imoral - ter prejudicado alguém ou a sociedade.

     Temos que reconhecer, também, que os princípios da moralidade, a distinção entre bem e o mal, a ideia de um dever que se deve cumprir, o sentimento de uma responsabilidade e de uma obrigação, a necessidade inata de justiça e de sanção são fatos que se encontram em todos os homens, tanto no tempo como no espaço.

     A educação é um meio importante para que princípios morais sejam potencializados, internalizados e nesse contexto, o bem coletivo priorizado, sempre. Educar bem as nossas crianças é um meio de amenizar os problemas morais que sempre nos atormentam e, assim, vislumbrar a possibilidade de uma sociedade melhor.

     Fonte: Luis Nassif Online

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