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Alemães, os campeões do mundo - Theófilo Silva

Enviado por Theófilo Silva
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   Sob o lema “ferro e sangue”, em 1871, Oto Von Bismarck chanceler da poderosa Prússia consolidou a nação alemã. Outrora um monte de cidades, condados, ducados, principados o sonho centenário de unir os povos de língua alemã em um único país tornou-se realidade. Brigando com a Áustria, da família Habsburgo, a Prússia levou a melhor e coroou Guilherme como primeiro imperador da Alemanha unificada. Enfim, uma nação, chegou a hora de trabalhar e enriquecer, já que, para eles, “a Alemanha está destinada a dominar o mundo”.

   O crescimento dessa nação de guerreiros, temida em toda a Europa, foi um fenômeno que até hoje assusta os historiadores. No final do século XIX eles já ultrapassavam à poderosa Grã-Bretanha como potência industrial e seus índices de qualidade de vida eram os melhores do mundo.

   Aí surge Guilherme II, o Imperador recalcado, que demite Bismarck e torna-se uma espécie de deus, passando a insultar e provocar seus vizinhos poderosos: França, Rússia e o império britânico, governado por sua avó Vitória, dando início a uma corrida armamentista. A ordem européia é quebrada, e a “Belle Époque”, o período de 1871 a 1914, considerado o período pacífico, próspero e idílico da velha Europa é quebrado. Alemanha e Áustria-Hungria desencadeiam o inferno no mundo.

   Em um período de apenas trinta anos, 1914 a 1945, a Alemanha travou duas guerras mundiais que mataram mais de 70 milhões de pessoas, ferindo mais de cem milhões, devastando países e acabando com a economia européia e asiática. Em 1920, três trilhões de Marcos alemães valiam uma Libra Inglesa. Escravidão, tortura, assassinato, foram a tônica dos alemães. A Alemanha nesse curto espaço de tempo teve quase dez milhões de mortos, um número maior de feridos, e virou terra arrasada, tendo quase todas suas grandes cidades destruídas. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, Hans Franck, o assassino governador da Polônia ocupada, disse – no Julgamento de Nuremberg – “A culpa da Alemanha vai durar mil anos e jamais será apagada”.

   Dez anos depois, em 1955, a Alemanha estava completamente reconstruída – embora dividida em duas – e importando trabalhadores na Turquia. A capacidade de organização, trabalho e recuperação, e espírito de equipe, desse povo comprovaram-se extraordinários. Em 1989, as duas Alemanhas se juntaram e viraram a locomotiva da Europa. O velho sonho de carregar a Europa realizava-se, não da forma estúpida e assassina do passado, mas por intermédio da parceria, concórdia, civilidade, paz, em comum acordo com seus outrora inimigos França, Inglaterra, Rússia e outros.

   Estou contando toda essa história para, entre outras coisas, homenagear os Campeões Mundiais de futebol, os guerreiros alemães modernos, que trocaram – mesmo que a Alemanha já fosse uma potência no futebol desde 1954 – os rifles e bombas por bolas e chuteiras. O domínio alemão passou a ser amigo, cordial, justo. A “blitzkrieg”, ou guerra relâmpago, de triste memória, foi usada de forma honesta para arrasar os adversários – que o diga a nossa infeliz Seleção Brasileira de Futebol.

   A coisa que mais ouvi de comentaristas nessa Copa do Mundo é que: “Dizem que o Alemão é frio e que não se diverte, não é verdade”. Quanta bobagem. Essa é a terceira e quarta geração pós-guerra. O alemão não ria mesmo, era frio e tinha motivos para isso. Pois seus pais e avós viveram um período de arrogância: brutal, destrutivo e assassino, perpetrado por eles mesmos. A Alemanha tinha vergonha de si mesmo e do mundo por ter cometido tantos crimes, por ter uma dívida com a humanidade.

   Mas culpa não é hereditária, não posso pagar pelos crimes dos meus avós. Portanto, nessa Copa do Mundo nasce uma nova Alemanha: humilde, respeitosa, simpática e vencedora. Que a Alemanha prospere e possa contribuir com a humanidade de forma decente e honesta. E que, nós brasileiros, aprendamos com eles!

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