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Chutando a história - Saul Leblon

Enviado por Gilberto Godoy
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   Da Carta Maior via Blog Luis Nassif Online

   Ninguém sabe ao certo o que vai predominar em 2012: se a lenta recuperação norte-americana, refletida numa queda de 9,6% para 8,5% do desemprego em 2011, ou o mergulho sem fim do sistema econômico europeu. O certo é que a busca por chão firme fará no comércio internacional um espaço de luta cada vez mais impiedoso. O mercado interno brasileiro é um dos mais cobiçados.

   O país que sobreviveu bem à primeira etapa da crise precisa se preparar para não morrer na praia. Sua indústria acumula um déficit comercial da ordem de U$S 80 bilhões nos últimos dois anos. Saudada pela ortodoxia como incentivo à competitividade, a importação desabrida de manufaturas ajuda a controlar a inflação. Mas tem um custo alto menos visível: a produção nacional perde força e espaço no seu próprio mercado e isso acarreta um ônus em emprego e renda preocupante.

     Em novembro de 2011 - último dado - o desempenho do setor fabril foi 2,5% inferior ao de igual mês em 2010. Cadeias industriais estão sendo corroídas pela concorrência externa, sobretudo a chinesa. O câmbio é o principal vilão. A enxurrada de dólares atraída pelo juro alto barateia importações a ponto de sufocar a manufatura local. Há também defasagem tecnológica. Mas ela não explica, por exemplo, a asfixia do setor têxtil, que tem padrão técnico equivalente à ponta internacional. Ou, como lembra o palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo, não justifica que uma bola de futebol chinesa seja oferecida aos clubes brasileiros por R$ 1,39 contra o custo médio local de R$ 35. O Brasil pode ter perdido o tônus nos gramados, mas sabe fabricar bolas.

     A ortodoxia e seu dispositivo midiático criticam tarifas protecionistas e incentivos transitórios de fomento industrial. Acredita-se que a sociedade virtuosa brotará da inundação saneadora de importações e livre fluxo de capitais. Fosse assim o Brasil pré-Getúlio seria um paraíso. A ignorância deliberada abstrai o trajeto das suas próprias referências. Reivindica o padrão chinês de competitividade, mas sem o arcabouço chinês de proteção industrial e cambial, com juro definido pelo comitê central do PC. Gostaria, talvez, de pinçar daí as condições desumanas de trabalho.

     Fomento à tecnologia, protecionismo, subsídios, câmbio e juros administrados foram utilizados intensamente pela Inglaterra para montar seu poderio no século XIX; as mesmas armas acionadas pelos EUA, Japão, China e Coréia do Sul, cujos governos protestam na OMC quando os emergentes disparam igual arsenal. Ou, com lembra o economista Ha-Joon Chang, 'chutam a escada' em que subiram. Faz parte. O pior são aliados internos que não hesitam em chutar a história para defender um laissez-faire que nunca teve o protagonismo que lhe atribuem na riqueza das nações.

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