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Como a política mostrou-se envelhecida

Enviado por Gilberto Godoy
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      Luis Nassif via blog Nassif Online

     Em tempos lentos, pré-Internet, fenômenos como os do Movimento do Passe Livre levarim anos para serem interpretados, para que se levantassem os nós nas cabeças tradicionais, os cortes na realidade política.

     A Internet e as redes sociais permitem um balanço da perplexidade em tempo real. É fantástico você olhar uma ideia velha, que enfeitaram com as plásticas do show bizz para passar por nova, de repente perder o photoshop e desmanchar-se aos olhos de todos, como naqueles velhos filmes B de Hollywood.

     Analisem os comentaristas de TV e jornais que, nos últimos anos, atenderam à demanda da mídia por personagens de ficção, o  anti-chavista, o anti-petista, o anti-aparelhista.

     A visão do inimigo – o lulismo - lhes forneceu o álibi para exercitar os aspectos mais rançosos, preconceituosos, o desprezo por qualquer movimento social, por qualquer valor popular, o elitismo dos que se pensam internacionalistas e são irremediavelmente provincianos.

     Na outra ponta, surgiram os militantes de esquerda, esbravejando contra o imperialismo, contra toda forma de parceria privada, levantando teorias conspiratórias, muitas delas reais, outras lembranças  históricas. A seu modo exercitavam a mesma intolerância, no caso contra empresários, classe média. Mas conseguiam se legitimar porque tinham um alvo concreto: o golpismo nítido na oposição.

     De repente, no meio do campo de batalha, baixa o carrossel fantasmagórico dos jovens, milhares de estrelinhas brilhantes, meio sem rumo, caóticos, mas espargindo uma luz intensa sobre os gladiadores do passado.

     Quem são? Como os sete cegos e o elefante, cada qual enxerga o movimento como quiser, numa barafunda divertidíssima.

     Os Villa, Jabor e Nunes firmaram a vista e viram, por trás da luz intensa, os fantasmas da comuna de Paris, os guerrilheiros de Sierra Maestra, montoneros, chavistas. Creio mesmo que devem ter rezado fervorosamente para que fossem, a fim de garantir-lhes a perpetuidade do discurso anacrônico. Já a Veja garante que são finalmente o brado da classe média contra o governo de esquerda.

     Os militantes de esquerda olham o reverso do reverso e enxergaram o movimento Cansei, a conspiração internacional, os filhinhos de papai querendo se mobilizar contra as conquistas sociais.

     Mas havia jovens discursando contra a passagem de ônibus, mas outros contra o abandono da periferia, alguns contra tudo, outros contra nada? Cadê o danado do inimigo que legitimasse o velho discurso?

     E cada qual saiu dando murros nas jovens luzes que pululavam ao seu redor. E os murros caíam no vazio pela falta de forma, pelo fato do inimigo não permitir a moleza de brandir velhos chavões estereotipados.

     Por exemplo, reconheço o brilho do cineasta Arnaldo Jabor, sua capacidade de criar personagens para si próprio e dar vida aos mais improváveis, como essa versão repaginada do Professor Hariovaldo e dos homens de bem invocando a Guerra Fria em pleno século 21. O discurso me irritava mas admitia sua enorme eficácia, o talento do ficcionista e do veículo de massa de ressuscitar fantasmas imemoriais de forma eficiente. Se o personagem fosse o Drácula, não tenho dúvidas de que no dia seguinte desapareceria dos supermercados todo o estoque de alho.

     Depois do MPL, assisti a alguns vídeos de Jabor deblaterando contra o movimento. Não tinha mais nenhuma eficácia. Era apenas um discurso embolorado. Daqui para frente, aos olhos da classe média medianamente informada, não será mais o velho travestido de novo. Será o discurso irremediavelmente caquético, para o qual o moleque menos informado torcerá o nariz.

     Quem aprendeu a enxergar os grandes movimentos sísmicos da história, identificou na movimentação da rapaziada um cometa brilhante que cindiu o tempo histórico e marcou definitivamente a divisa entre o velho e o novo.

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