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O mundo continua torto - Theófilo Silva

Enviado por Theófilo Silva
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   “O mundo está torto e cabe a mim endireitá-lo”. Preciso dessa fala de Hamlet para poder suportar a estupidez do mundo, e esse pensamento de Shakespeare me consola. Mas, quando somos informados que apenas oitenta indivíduos têm mais dinheiro que 3,4 bilhões de pessoas, metade da população mundial...

   O ano de 2014 se foi e 2015 começou “virado” no outro lado do mundo. Agora que a coisa parece ter esfriado um pouco – muito embora o clima do planeta continue esquentando – arrisco-me a falar sobre a questão do atentado na França. Um fato grave, muito grave.  

   As companhias aéreas, principalmente as europeias, proíbem os funcionários de ostentarem símbolos religiosos, crucifixos, medalhas ou qualquer adereço que identifique sua religião. A medida restritiva das empresas aéreas é evitar conflitos com os clientes, principalmente mulçumanos. Parece até abuso que uma empresa britânica proíba um empregado de ostentar um crucifixo. Parece ser uma restrição à liberdade individual. No entanto, chamo isso de sensatez!

   A França tem uma tradição de anticlericalismo e desprezo pela religião que antecede a Revolução Francesa. Embora aparentemente católica, a França é metade ateia, superando bastante a média de ateísmo na Europa, com possível exceção da Escandinávia. As Cruzadas foram guerras entre francos (franceses) cristãos e árabes islâmicos. Foi na França em 1572 que ocorreu uma das maiores matanças entre cristãos da História, a Noite de São Bartolomeu, quando o governo católico matou dezenas de milhares de protestantes. Durante a Revolução, os revoltosos saquearam o milenar santuário de Saint Dennis, destruindo e incendiando os túmulos dos reis franceses. Também mataram padres e freiras como se fossem baratas. Napoleão saqueou o Vaticano, mandou prender o papa e o humilhou, tomando a coroa de suas mãos e coroando a si mesmo.

   Liberdade de expressão e religiosa é o nosso tema. Ninguém duvida que hoje os cidadãos da maioria dos países ocidentais desfrutem de ampla liberdade de expressão – claro que há manipulações e mentiras – e que a imprensa é livre constituindo-se em um dos pilares da democracia no ocidente.

   A França tem a maior comunidade mulçumana da Europa. Suas antigas colônias na África: Argélia, Tunísia, Marrocos mandaram muitos imigrantes islâmicos para lá. Um dos maiores escritores “franceses” do século XX, Albert Camus é argelino. Em suas guerras com a Alemanha em 1870, 1914 e 1939, a França instituiu cidadania aos colonos pondo-os no parlamento francês. O objetivo foi aumentar sua população, que era metade da poderosa Germânia.

   A liberdade de imprensa é fato na França. Todo jornalista pode dizer o que pensa. Inclusive os escrachados cartunistas do tabloide Charlie Hebdo, chacinados brutalmente por psicopatas islâmicos. Essa turma do Charlie Hebdo já há muito tempo  flertava com o perigo com seus cartoons ofensivos ao profeta. A França é cheia de jovens islâmicos desempregados e sem perspectiva: um convite ao crime. Pergunto? Por que “cutucar onça com vara curta”? Por que provocar a ira de fundamentalistas? Em nome da liberdade de expressão? Um direito que a França nunca lhes negou? O deboche custou caro. E inocentes perderam suas vidas, e um pavio foi aceso. A imagem do profeta Maomé é proibida pela religião islâmica, a Europa toda sabe disso. Por que acender  fósforos próximo a tambores de gasolina?

   O mundo é diverso, cheio de diferenças, desigual. O oriente islâmico e a Europa cristã vivem sob tensão há mil e duzentos anos. O Islamismo é uma religião do século VII, que nunca passou por uma reforma como o Cristianismo. Não teve um Lutero, um Wycliff, um Calvino. A maneira como o islamismo trata as mulheres e os homossexuais, e outras práticas são incompatíveis como o mundo moderno. E a ciência e tecnologia integraram o mundo, deixando-o pequeno. Todo mundo se vê. Portanto, cutucar o fundamentalismo islâmico no que ele tem de mais sagrado em nome da liberdade de imprensa é uma irresponsabilidade. Lembrando que a comunidade islâmica condenou o atentado.

   Fico imaginando como estão os familiares dos jornalistas e dos inocentes vítimas dessa barbaridade. Eis o grande problema dos radicais: em suas ações eles não destroem apenas si mesmos, mas também aqueles que estão a seu redor.

   Os artistas radicais do ocidente encontraram os radicais islâmicos do oriente, e só poderia terminar assim, desgraçadamente, em tragédia. O Mundo continua torto! 

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