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O Whatsapp e as eleições - Theófilo Silva

Enviado por Gilberto Godoy
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     A compra do aplicativo Whats App pelo Facebook,  por 19 bilhões de dólares, algo em torno de 45 bilhões de reais, é um escândalo. Trata-se de número pavoroso,  assustador e perigoso. Não sou inimigo do dinheiro, de negócios, ou do que chamam capital, livre iniciativa, mas é que o valor é tão astronômico, tão “galático”, tão gigantesco que fico me perguntando de onde sai tanto dinheiro para realizar uma compra dessas? Se o valor pago fosse um décimo disso seria espantoso, mas “dezenove bi”... Convenhamos!

     O facebook tem apenas nove anos de vida. E o Whats App, pasmem, apenas quatro anos de existência. O controlador, e dono desse dinheiro todo — existem os investidores, claro – é um rapaz de apenas 29 anos, o lendário e sortudo Mark Zuckerberg, o gênio da rede social mais famosa do mundo!

     Fiquei tão atordoado com a soma envolvida, que resolvi fazer um exercício estatístico meio maluco e, mas não improvável, calcular o que esse dinheiro é capaz de “aprontar” – de comprar. Logo me veio à cabeça às eleições brasileiras que vão ocorrer este ano. Fiz alguns cálculos e pensei o seguinte. Vamos supor que num rasgo de loucura a turma do Whats App resolvesse se intrometer na história do Brasil e financiar, eleger, um candidato a cada um dos cargos em jogo esse ano no país! Que são: um Presidente da República, 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e 1035 deputados estaduais e distritais.

     Pelos meus cálculos, concluí que os donos do Whats App só precisam disponibilizar metade dessa dinheirama para alterar as eleições brasileiras. É o seguinte: se ele der um bilhão de dólares para campanha para Presidente da República; dois bilhões de dólares para os 27 candidatos a governador (oitenta milhões de dólares para cada um dos 27 candidatos a governador); um bilhão de dólares para os senadores (40 milhões de dólares para cada um dos 27 candidatos); e dois bilhões de dólares para os candidatos a deputado federal (quatro milhões de dólares para cada um dos 513 candidatos) e um bilhão de dólares para os deputados estaduais e distritais (dois milhões dólares para cada um dos 1.035 candidatos). Pronto: foram gastos sete bilhões de dólares.  Sobrou “dois bi”, caso haja segundo turno para governador e Presidente da República.

     Posso garantir que pus dinheiro muito do além do necessário. Afinal 4 milhões de dólares são 10 milhões de reais, 40 milhões de dólares são 200 milhões de reais. Nenhum candidato a senador ou deputado federal vai gastar essa soma. Nem mesmo o Niltão Cardoso ou o Júnior Friboi! Só pra ficar nos mais ricos. É preciso levar em conta também a diferença entre os estados da federação. Coloquei os valores como se as eleições fossem em São Paulo ou Minas Gerais. Em Roraima, Sergipe, Rondônia o custo é menor. Dificilmente o candidato a governador de Roraima gastaria 200 milhões de reais em sua campanha.

     Fiz essa conta para mostrar o poderio gigantesco que a informação tomou nos dias que correm, e mostra o enorme poder dos Estados Unidos nessa corrida mundial, que envolve outros competidores, em especial os asiáticos, Japão, Coreia e China. Fica difícil acreditar que o governo dos Estados Unidos não tenha tomado parte nesse negócio espetacular. A recente descoberta – muito embora a espionagem entre estados seja tão velha quanto o mundo, e refinada por Napoleão – de que o governo americano, por intermédio da agência NSA, espionava e gravava todo mundo, inclusive chefes de estado, como Dilma Roussef no Brasil, Angela Merkel na Alemanha, e cidadãos comuns, faz ver o quanto informação,  as  redes sociais, interessa aos governos, e o quanto eles estão dispostos a gastar grandes somas para ter posse dessas informações tão valiosas. Informação é poder. Sempre foi!

     Essa brincadeira que fiz sobre as eleições brasileiras é quase implausível, já que temos leis eleitorais que podem coibir abusos tão gritantes. O que fiz foi chamar atenção para o imenso poder que o dinheiro – a prostituta amarela como o chamava Shakespeare –  tem em uma eleição, e de o quanto o poder econômico pode interferir na história de uma nação. Não duvido que em países menores, de democracia frágil, o dinheiro, estrangeiro ou de dentro de casa mesmo, tem servido para comprar eleições, e assim colocar no poder dirigentes e legisladores capazes de fazer a vontade seus financiadores, sejam eles quais forem.

     É isso!

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