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Palavras de fim de ano - Theófilo Silva

Enviado por Gilberto Godoy
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     As bobagens do calendário do povo Maia, que falava no fim do mundo – que é que os Maias conheciam do mundo? –, impreciso e inexato, até mesmo para contar os dias, serviu para a imprensa inovar um pouco nas manchetes de fim de ano, em geral, repetidas a exaustão todos os meses de dezembro, ao ponto dos repórteres  veteranos não suportarem mais a mesmice das reportagens  referentes ao período natalino. Se os próprios jornalistas estão cansados, imaginem nós!

     Já tem mais de trezentos anos que a astronomia engoliu a astrologia. A época em que cada rei tinha seu astrólogo e o carregava para todos os lugares, para que ele previsse os acontecimentos, baseado no que diziam os astros, faz muito tempo que acabou. Hoje, a crença é usada apenas para iludir gente dada a esquisitices, que acredita em publicações e programas de televisão feitos com o único propósito de auferir lucros, só isso. Alinhamento de planetas não interfere na vida de ninguém.

     Copérnico, Galileu Galilei, Johanes Kepler, Isaac Newton, Albert Einstein e muitos outros – a ciência – enterraram essas crenças para sempre. O homem mapeou o planeta inteiro, e é difícil encontrar um lugar da terra que ele ainda não tenha vasculhado, seja nos desertos, polos, fundo do mar, vulcões, florestas, cavernas, reinos animal e vegetal,  que ele ainda não tenha discutido, estudado e esmiuçado a exaustão. Até mesmo a lua já foi visitada, muito embora, um grupo de tolos ainda acredite que não fomos ao astro mais amado pelos poetas.

     O que o homem ainda não fez, embora tenha conseguido prolongar a vida, fazer órgãos artificiais, gravidez in vitro, a hélice do DNA, combate a doenças e pestes, transplantes e muitas outras conquistas que transformaram em um ser mais saudável, é nos dizer o que podemos fazer para sermos felizes.  Porque o homem quer ser feliz! O que quero dizer é que todas essas vitórias do homem sobre a natureza, e sobre a saúde do nosso corpo, não nos deram muitas pistas sobre como funciona nossa mente e espírito, ou mesmo se temos uma alma ou não!

     Mesmo com toda a contribuição de Freud, Jung, Reich, os chamados grande psicólogos, os mistérios e segredos da nossa existência, da nossa individualidade, não parecem ter se enriquecido muito com a neurologia, a ciência que hoje cuida do nosso cérebro, da mente humana. Nesse ponto, eu diria que a ciência, muito embora, tenha dado muito ao homem, ao cuidar da nossa saúde física, é fraca quando se trata de cuidar de nossas “cabecinhas”, enquanto pessoas que sonham e amam.

     Eu diria que a arte e a religião oferecem respostas muito mais gratificantes quando se trata da nossa felicidade, por nos permitir conversar conosco mesmos. Foi Freud quem disse, quando criou a psicanálise, “aquilo que eu escrevi os poetas já sabiam”. Daí sua paixão declarada pela obra e os personagens de Shakespeare, que comprovavam muitas de suas teses, trezentos anos antes. Há quem diga que o Gênese, livro da Bíblia, antecipa muito do que os físicos diriam sobre a origem do homem e do planeta terra, e de que lá está escrito o que só conheceríamos cientificamente três mil anos depois.

     Talvez aquilo que Shakespeare disse: “É absolutamente inevitável de que esqueçamos de pagar a nós mesmo o que a nós devemos” seja uma das chaves da existência. Porque nós lutamos conosco mesmos todos os dias.  E para aqueles em que a vida representa muito mais do que comer, beber, dormir, pagar as contas e criar a família, as perguntas geram uma inquietude que enriquecem nossa existência por mais dolorosas que sejam: o que estou fazendo aqui? Qual é o propósito de tudo isso? De onde venho, e para onde vou?

     Essa falta de respostas, essa constante reinvenção, e permanente dúvida do que pode acontecer no dia seguinte, ou no próximo minuto, parece ser o tom da vida. Como se a novidade, a esperança pudesse ser a mola que nos move. E esse fracionamento do tempo em minutos, horas, dias, meses e anos dão um norte as nossas vidas. E assim, o ciclo chamado Ano se repete permeado pela festa cristã, que comemora o nascimento do filho de Deus, pois é hora de festejar o que foi feito, e sonhar com o que vamos fazer no próximo. E isso é muito bom. O resto é criar a família, trabalhar e amar ao próximo como a si mesmo!

     Contrariando a astrologia dos Maias, a astronomia já disse que o mundo tem data pra acabar. Faltam apenas 4,5 bilhões de anos.

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