Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Uma nação de cínicos - Elton Simões

Enviado por Gilberto Godoy
uma-nacao-de-cinicos---elton-simoes

   O cinismo nasceu idealista, otimista mesmo. Na Grécia Antiga, o cinismo começou como corrente filosófica que pregava que o propósito da vida era viver na virtude, de acordo com a natureza. Seus praticantes eram chamados de cínicos.

   Os cínicos gregos, sendo idealistas e radicais, consideravam a virtude como a única condição necessária para a felicidade. Viam a virtude como ferramenta única requerida para alcançar a felicidade. Negligenciavam tudo que não promovesse a perfeição da virtude.

   Para ser cínico daquela época, palavras não bastavam. Abraçar o modo de vida cínico era exigência fundamental e consistente com a busca da virtude. Para eles a virtude residia, sobretudo, em conduta moral irrepreensível. Conquistas materiais e aparência exterior eram supérfluas, e, por supérfluas, não eram parte da virtude.

   Não se sabe exatamente a razão, se é que existiu uma só. Talvez fosse um mecanismo de defesa contra as inevitáveis frustrações. Talvez porque a distancia entre seus ideais e a realidade lhes fosse tão desfavorável. O fato é que os cínicos se tornaram críticos ácidos e implacáveis do comportamento da sociedade em que estavam inseridos.

   De critica em critica, ou de frustração em frustração, o cinismo foi cedendo em expectativa e crescendo em amargura. Virou aquilo que conhecemos e reconhecemos hoje. Reduziu-se apenas a atitudes de desdém negativo ou cansado, manifestada na desconfiança geral quanto à integridade ou motivos professos dos seres humanos. Transformação dramática para uma corrente filosófica que em sua origem destacava a busca obsessiva da virtude e da perfeição moral.

   Talvez estejamos, nestes dias, em um dilema moral semelhante. Diante da aparente falta de mudança; em face da evidente degradação ética; confrontados com a inutilidade aparente da coerência; e afrontados cotidianamente por insulto à inteligência e ao bom senso, cresce a descrença. Floresce a frustração. Vem a desilusão.

   E assim, em cada passo; em cada desilusão; em cada frustração, a esperança morre um pouco em lenta agonia. Como lodo, o desdém negativo e cansado brotando nas paredes do coração de cada um. Até o ponto em que, finalmente, emerge uma nação de cínicos.

      Fonte: blog do Noblat
     Elton Simões mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). E-mail: esimoes@uvic.ca

Comentários

Comente aqui este post!
Clique aqui!

 

Também recomendo

  •      "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.   (continua)
      * Veja sobre Psicólogo Brasília na Clínica Brasília de Psicologia ou AQUI.


  •      Um grupo de senhores, por várias noites, reuniu-se para discutir sobre os assuntos de alta transcendência – coisas metafísicas. No grupo, um dos participantes se destacava pelo silêncio. Numa das noites, incitado por um dos participantes, o casmurro usou a palavra...   (continua)


  •    Quando jovens, cultivávamos a utopia de um mundo melhor. Tenho refletido sobre isso. Tenho lido e pesquisado sobre a história do nosso comportamento através dos séculos. Parece que, apesar de toda a violência atual, fomos ficando menos violentos. Difícil acreditar, eu sei.   (continua)


  •    Rei Lear é uma das peças mais citadas em textos sobre o envelhecimento. A montagem de Juca de Oliveira é uma oportunidade para aqueles interessados em conhecer a obra, uma vez que a chance é mínima de assistirem uma encenação clássica, completa, algo distante ...   (continua)


  • “Não me deixe rezar por proteção contra os perigos,
    mas pelo destemor em enfrentá-los.
    Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
    mas pela coragem de vencê-la...
    (continua)


  •    Quando fico angustiado com as notícias brasileiras, ligo para o Nelson Rodrigues. Ele me dá bons conselhos lá do céu de papelão, entre nuvens de algodão e estrelas de papel prateado — seu paraíso é um cenário de teatro de revistas. O telefone toca como uma trombeta suave. Ele já sabe quem é: '— Você, hein? Só me liga quando está encalacrado.'   (continua)


  •    Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia...   (continua)


  •       Adaptação ao texto original de Rosemarie Urquico
       “Encontre uma pessoa que lê. Namore uma pessoa que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Namore uma pessoa que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido consigo.   (continua)


Copyright 2011-2021
Todos os direitos reservados

Até o momento,  1 visitas.
Desenvolvimento: Criação de Sites em Brasília