Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Eu voltarei - Cora Coralina

Enviado por Gilberto Godoy
eu-voltarei---cora-coralina

   “Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho,
 servidor do próximo,
 honesto e simples, de pensamentos limpos.
Teremos padarias e muitos filhos. Cada nascer de um filho
será marcado com o plantio de uma árvore simbólica.
 A árvore de Paulo, a árvore de Manoel, 
a árvore de Ruth, a árvore de Roseta.

   Seremos alegres e estaremos sempre a cantar. Nossas padarias terão feixes de trigo enfeitando suas portas,
teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
 Plantaremos o mogno, o jacarandá,
 o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro.
 Plantarei árvores para as gerações futuras. Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros.

   
Terão moinhos, serrarias e panificadoras.
 Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens 
e mulheres, ligados profundamente 
ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar. E eu morrerei tranquilamente dentro de um campo de trigo ou 
milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.


     Eu voltarei... 
A pedra do meu túmulo
 será enfeitada de espigas de trigo
 e cereais quebrados, 
minha oferta póstuma às formigas 
que têm suas casinhas subterran
eas e aos pássaros cantores 
que têm seus ninhos nas altas e floridas 
frondes. Eu voltarei...” 


     Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi poeta e contista brasileira. Produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás. Começou a escrever poemas aos 14 anos, porém, publicou seu primeiro livro em 1965, aos 76 anos.

Comentários

Comente aqui este post!
Clique aqui!

 

Também recomendo

  •        "Acontece que o Conde Matarazzo estava passeando pelo parque. O Conde Matarazzo é um Conde muito velho, que tem muitas fábricas. Tem também muitas honras. Uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro que o Conde exibia à lapela, amarrada a uma fitinha. Era uma condecoração (sem trocadilho).   (continua)


  •    Existem coisas que nunca esquecemos, os cheiros é uma delas. Inúmeras vezes nos deparamos com um cheiro e ele nos remete a lembranças remotas ou não. No início de 2010 li “Os Cheiros” escrito por Danuza Leão, tirei a página da revista e sempre voltava a lê-lo.   (continua)


  •    O título parece complicado, mas não é. Metáforas são figuras de linguagem que substituem uma coisa por outra. São indispensáveis na expressão da vida. Por exemplo: o coração, que é um órgão do corpo humano passível de cirurgia, palpitação e substituição, é uma metáfora do amor...   (continua)


  •    Uma mulher espalhou uma fofoca sobre uma certa pessoa que ela não conhecia bem, mas a invejava. Alguns dias depois, o bairro inteiro sabia a história. A pessoa que foi alvo da fofoca ficou indignada e muito ofendida. Mais tarde, a mulher que espalhou o boato descobriu que era...   (continua).


  •    Endureçamos a bondade, amigos. Ela também é bondosa, a cutilada que faz saltar a roedura e os bichos: também é bondosa a chama nas selvas incendiadas para que os arados bondosos fendam a terra. Endureçamos a nossa bondade, amigos. Já não há pusilânime de...   (continua)


  •    Assisti a uma reportagem no programa Fantástico, da TV Globo, que além de ter me emocionado bastante, mostrou uma experiência insólita, rara e belíssima. Um garoto de oito anos, de uma cidade dos Estados Unidos, ganhou um prêmio em sua escola, de mil dólares. Poderia ter...   (continua)


  •    Mexo em textos antigos, e encontro um que me dá sentimentos dúbios, uma espécie de alegria melancólica, como se fosse um reencontro fugaz com uma pessoa querida. Você quer segurá-la, mas ela tem que partir. O tema era papai, e mamãe ainda vivia. Engraçado como...   (continua)


  •    Que se passa para nós no domínio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade —   (continua)
     


  •    Durante os vinte anos da sua ausência, os habitantes de Ítaca conservaram muitas recordações de Ulisses mas não sentiam por ele qualquer nostalgia. Enquanto Ulisses sofria de nostalgia e não se recordava de quase nada. Pode compreender-se esta curiosa...   (continua)


  •    Trecho de "O livro do desassossego" - Bernardo Soares.
       "Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade. Só nos parecemos de longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns...   (continua)


  •       “Aconteceu da mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha” - Luís de Camões
          A expressão vem de uma história na qual um nobre quer se casar com Inês, porém, já era tarde demais, pois ela já estava morta. Inês de Castro (1320 ou 1325 - 7 de Janeiro de 1355), uma nobre castelhana, foi...   (continua)


  •    É isto, nada além: um dia as pessoas morrem na gente. Pode ser um amigo que parece não se importar mais ou então aquele que telefona só quando quer ajuda, um amor que gastou todas as chances que tinha e nem toda dedicação do mundo comoveu, um primo de longe, qualquer um.   (continua)


Copyright 2011-2020
Todos os direitos reservados

Até o momento,  1 visitas.
Desenvolvimento: Criação de Sites em Brasília