Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Namore uma pessoa que lê

Enviado por Gilberto Godoy
namore-uma-pessoa-que-le

     Adaptação ao texto original de Rosemarie Urquico

     “Encontre uma pessoa que lê. Namore uma pessoa que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Namore uma pessoa que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido consigo. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a que se alegra (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma pessoa cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas. Ela lê enquanto espera em um Café na rua. Entenda que, se ela diz que compreendeu ‘Ulisses’ de James Joyce, é só para parecer inteligente.

     É fácil namorar uma pessoa que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Cummings, Pessoa, Quintana, Drummond... Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma.  Essas pessoas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. Por que ter medo de tudo o que você não é? As pessoas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.

     Se você encontrar uma pessoa que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype. Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

     Namore uma pessoa que lê porque você merece. Merece uma pessoa que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma pessoa que lê.”

Comentários

  • por: Frennessey S. Leal em quarta-feira, 12 de junho de 2013
    Super legal o texto! Eu lendo imagino alguém assim, afinal, ser lido com imaginação é sempre mais divertido. Conversar com alguém que lê (e escreve) é a melhor coisa do mundo, tem conteúdo e histórias que nunca acabam! Abraços!
  • por: Regina Soto em quarta-feira, 12 de junho de 2013
    quem lê, conhece vários mundos.... feliz dia dos namorados Gil . seja muito feliz...

Também recomendo

  •      "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.   (continua)


  •      Um grupo de senhores, por várias noites, reuniu-se para discutir sobre os assuntos de alta transcendência – coisas metafísicas. No grupo, um dos participantes se destacava pelo silêncio. Numa das noites, incitado por um dos participantes, o casmurro usou a palavra...   (continua)


  •    Quando jovens, cultivávamos a utopia de um mundo melhor. Tenho refletido sobre isso. Tenho lido e pesquisado sobre a história do nosso comportamento através dos séculos. Parece que, apesar de toda a violência atual, fomos ficando menos violentos. Difícil acreditar, eu sei.   (continua)


  •    Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos: “Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.   (continua)


  •    Rei Lear é uma das peças mais citadas em textos sobre o envelhecimento. A montagem de Juca de Oliveira é uma oportunidade para aqueles interessados em conhecer a obra, uma vez que a chance é mínima de assistirem uma encenação clássica, completa, algo distante ...   (continua)


  • “Não me deixe rezar por proteção contra os perigos,
    mas pelo destemor em enfrentá-los.
    Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
    mas pela coragem de vencê-la...
    (continua)


  •    Quando fico angustiado com as notícias brasileiras, ligo para o Nelson Rodrigues. Ele me dá bons conselhos lá do céu de papelão, entre nuvens de algodão e estrelas de papel prateado — seu paraíso é um cenário de teatro de revistas. O telefone toca como uma trombeta suave. Ele já sabe quem é: '— Você, hein? Só me liga quando está encalacrado.'   (continua)


  •    Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia...   (continua)


Copyright 2011-2017
Todos os direitos reservados

Até o momento,  15374726 visitas.
Desenvolvimento: iDev Web