Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Vida simplificada - Melissa de Andrade

Enviado por Gilberto Godoy
vida-simplificada---melissa-de-andrade

     Era o elemento que faltava para completar o pacote ecologicamente correto do estereótipo do povo de Seattle. Além de fazer reciclagem, comprar produtos orgânicos produzidos localmente e trocar o carro pelo transporte público, o típico morador de Seattle também simplifica a vida praticando o “downsizing”.

     Na falta de melhor tradução, o “enxugamento” significa optar por uma rotina mais prática. Ao reduzir a complexidade dos compromissos, a pessoa teria uma sensação de liberdade. Menos itens para dar atenção, menos motivos de preocupação.

     Enquanto no mundo corporativo o conceito está associado a racionalização de custo e demissão de funcionários, na vida pessoal o enxugamento é o reflexo de qualquer mudança em prol de uma vida mais simples.

     Um colega de trabalho vendeu um carro antigo que era seu xodó e reduziu as despesas de manutenção. Uma conhecida mudou de uma casa ampla para um apartamento pequeno, mesmo tendo que vender parte dos móveis. Uma amiga doou a televisão e usa o tempo livre para ler mais.

     Por quê? Os três me deram a mesma resposta: estavam fazendo downsizing na vida e se sentiam muito bem com a decisão. Mesmo tendo uma redução de custo associada a vender um carro, morar em um lugar menor e não pagar pela TV por assinatura, a motivação nem sempre é financeira.

     O objetivo é “ter” menos itens e depender menos das atividades relacionadas a administrá-los. Um carro extra e uma casa grande exigem tempo, dinheiro e trabalho. Uma TV toma horas que podem ser preciosas quando é preciso dedicação a uma outra atividade. É uma opção.

     O conceito prevê que se viva em prol do que dá prazer, em vez de ter o foco concentrado em manter os pequenos e grandes confortos acumulados ao longo dos anos. Ter clareza do que você precisa versus o que você apenas quer ter.

     Tem gente que leva o downsizing ao extremo. Fiz um curso com uma menina que mora num sobradinho de 30 metros quadrados numa área de preservação ambiental num subúrbio de Seattle. Não é orçamento curto: o marido dela gosta desse estilo de vida e construiu a casa dos sonhos. É daquelas sem divisórias por dentro, que no Brasil seriam chamadas de loft. Ela jura que gosta da casa, mas cortou os planos do marido de continuar morando lá após terem filhos.

     Cada um tem o seu limite para uma vida enxuta. (Uma boa ideia para se por em prática em tempos de excesso de dados e cobranças!)


      Melissa de Andrade. Cartas de Seatle. Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos. Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview.

Comentários

Comente aqui este post!
Clique aqui!

 

Também recomendo

  •      "Dois homens , ambos gravemente doentes , estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora todas as tardes para conseguir drenar o líquido de seus pulmões. Sua cama estava junto da única janela do quarto.   (continua)


  •    Dorival Caymmi é que cantava: "Mas como o acaso é importante, querida, de nossas vidas a vida fez um brinquedo também"... Esses versos vieram-me à cabeça, por acaso, porque estava lendo um livro que comprei, não por acaso. É que o autor falava de uma série de descobertas feitas na ciência, muitas por acaso.   (continua)


  •    "O meu sonho na vida era ter o poder de ser um vídeo cassete de mim mesmo; ter o controle remoto que me permitisse renascer experiências vividas. Eu poderia voltar o tempo, acelerar pular cenas dos próximos capítulos, parar imagens no momento que me tivesse sido glorioso, vivê-lo outra vez, talvez eternizar o orgasmo.   (continua)


  •    Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que...   (continua)


  •    “Antes do teólogo, havia um contador de histórias.” - Ray anderson
      Certa vez um homem muito rico, de natureza boa e generosa, queria que o seu escravo fosse feliz. Para isso lhe deu a liberdade e um navio carregado de mercadorias.   - Agora você está livre – disse o homem. – Vá e venda esses produtos em diversos países e tudo o que conseguir por eles será seu.   (continua)


  •      Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma – para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.   (continuar)


  •    Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti. Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas.   (continua)


  • “Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
    para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que
    ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente,
    mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
    Já não tenho tempo para lidar com mediocridades....
    (continua)


Copyright 2011-2026
Todos os direitos reservados

Até o momento,  1 visitas.
Desenvolvimento: Criação de Sites em Brasília