Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Respeite o meu direito de não querer te ouvir ou ver

Enviado por Gilberto Godoy
respeite-o-meu-direito-de-nao-querer-te-ouvir-ou-ver

   O fato de alguém querer muito a nossa atenção não nos obriga a aceitar sua aproximação. Ao insistir em seu objetivo, mesmo que nos ame, ela estará sendo prepotente e egoísta.

   Um senhor me acusou de desrespeitoso e mal-educado. Motivo? Não quis falar com ele ao telefone. Não o conheço, sabia que ele queria fazer críticas — “construtivas” — ao meu trabalho. Não me interessei em saber quais eram.

   Uma colega me conta que sua mãe lhe diz: “Sua amiga de infância esteve aqui e está louca para revê-la. Quando posso marcar o encontro?” Minha colega não tem interesse em saber como está essa pessoa, nem deseja reencontrá-la.

   Uma filha atende o telefone e diz ao pai: “Fulano quer falar com você”. O pai responde: “Diga que não estou”. “Mas ele diz que quer muito falar com você.” O pai: “Sim, mas eu não quero falar com ele!”

   Afinal de contas, quem está com a razão? Aquele que se sente ofendido por não ser ouvido ou recebido? Ou quem se acha com o direito de só receber as pessoas que lhe interessam?

   Quem faz questão de colocar sua opinião tem direito a isso ou é prepotente por achar que o outro tem que ouvi-lo, apenas porque ele está com vontade de falar? Ou é egoísta e desrespeitoso aquele que só fala e recebe as pessoas que lhe interessam ou quando está com vontade?

   Acho fundamental tentarmos entender essas questões aparentemente banais, uma vez que elas são parte das complicadas relações no cotidiano de todos nós. Elas envolvem questões morais e dos direitos de cada um. Tratam do que é justo e do que é injusto.

   Acredito que é direito legítimo de cada um falar ou não com qualquer outra pessoa. O fato de ela querer muito nossa atenção não nos obriga a aceitar sua aproximação. E isso independe das intenções de quem deseja o convívio.

   Posso, se quiser, recusar a aproximação de uma pessoa, mesmo que ela venha me oferecer o melhor negócio do mundo. E o fato de uma pessoa me amar também não a autoriza a nada! Não pode, apenas por me amar, desejar que eu a queira por perto. Ao forçar a aproximação com alguém que não esteja interessado nisso, a pessoa estará agindo de modo agressivo, autoritário e prepotente.

   As belas intenções não alteram o caráter prepotente da ação. Na verdade, egoísta é quem quer ver sua vontade satisfeita, mesmo se isto for unilateral. Ele não está ligando a mínima para o outro.

   O mesmo raciocínio vale para as pessoas amigas. Não tem o menor sentido eu ir à casa de um amigo para dizer-lhe o que penso de uma determinada atitude sua que não me diz respeito, mesmo que eu não tenha gostado ou aprovado. Ele não me perguntou nada! Ainda que goste muito de mim, talvez não queira saber minha opinião. Talvez não deseje saber a opinião de ninguém! É direito dele.

   Pode também acontecer o contrário: a pessoa desejar a minha opinião e eu me recusar a dar. Aí é o outro quem tem de respeitar o meu direito de omissão. Não cabe a frase do tipo: “Mas nós somos tão amigos e temos que dizer tudo um ao outro”. É assim que, com frequência, se perdem bons amigos. É preciso ter cautela com o outro, com o direito do outro. Não basta ter vontade de falar. É preciso que o outro esteja com vontade de ouvir.

   Nós nos tornamos inconvenientes e agressivos quando falamos coisas que os outros não estão a fim de ouvir. Raciocínio idêntico vale também para as relações íntimas — entre parentes, em geral, e marido e mulher, em particular. Nesses casos, o desrespeito costuma ser ainda maior. As pessoas dizem e fazem tudo o que lhes passa pela cabeça. É um perigo. Elas não param de se ofender e de se magoar. Acreditam que, só porque são parentes, têm o direito de falar tudo o que pensam, sem se preocupar como o outro irá receber aquelas palavras.

   Toda relação humana de respeito implica a necessidade de se imaginar o que pode magoar gratuitamente o outro. É necessário prestar atenção no outro, para evitar agressões, mesmo involuntárias.

   Quando as pessoas falam e fazem o que querem, sem se preocupar com a repercussão sobre o outro, é porque nelas predomina o egoísmo ou o desejo de magoar.

   Fonte: Blog do autor deste texto, Flávio Gikovate

Comentários

Comente aqui este post!
Clique aqui!

 

Também recomendo

  •    Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal.   (continua)


  •    Raymundo de Lima
       Há um grave e silencioso problema social entre homens e mulheres em nosso tempo: o temor de passarem dos 30 anos e ficarem solteiros. Hoje, de Nova York a Cingapura, passando por Maringá, não conseguir encontrar a alma gêmea...   (continua)


  •    A internet mudou a vida para melhor. É comum conhecer alguém pelas redes sociais. Pela web, dá para fazer perguntas essenciais e chegar ao primeiro encontro sabendo até quantos implantes alguém tem na boca – algo que facilita a intimidade.   (continua)


  •    O amor é química, emoção, sentimento e, sobretudo, metafísica. Ao menos esta última deduzimos da história vital de um casal californiano, que se casou há 62 anos e cumpriu sua promessa de viver juntos até que a morte os separasse.   (continua)


  •    Ninguém duvida que o casamento representa uma boa mudança nas contingências de vida de um casal. Hábitos, comportamentos encadeados mudam significativamente. As mudanças que devem enfrentar e o processo de adaptação que exige compartilhar sua vida...   (continua)


  •    A promessa "até que a morte nos separe" é cada vez menos cumprida pelos casais. A possibilidade de se divorciar com mais facilidade e ter a esperança de iniciar uma nova vida com outra pessoa faz com que muitos relacionamentos acabem. De acordo com o IBGE...   (continua)
       * Veja sobre Psicólogo Brasília na Clínica Brasília de Psicologia ou AQUI.


  •    "Todos temos manias, uns gostam de cavalos, outros de cães, outros querem ouro e alguns outros honrarias. Quanto à mim, nenhuma dessas coisas me atrai, mas tenho paixão por amigos." Sócrates


  •   Quando foi a última vez que você reclamou? Tenho certeza que faz bem menos tempo do que você lembra. Ao longo de 21 dias me policiei como poucas vezes precisei fazer em minha vida. Não é exagero. Ficar sem reclamar por tanto tempo exige...   (continua)


Copyright 2011-2021
Todos os direitos reservados

Até o momento,  1 visitas.
Desenvolvimento: Criação de Sites em Brasília