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O alerta da China para o Brasil - Ricardo Gallo

Enviado por Gilberto Godoy
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   Enquanto todos ficam de olho na Europa, dados recentes mostram que economia chinesa continua desacelerando. As importações e exportações de produtos processados vem desacelerando bastante, em função da redução da atividade nas principais economias do globo. O consumo de energia desacelerou bastante, a exceção do setor de serviços. Tal consumo indica que PIB possa estar andando a 7 ou 6% aa.

   Outros dados são muito preocupantes:

   A produção industrial, que crescia a mais de 11% aa no primeiro trimestre, desacelerou em Abril para 9,3 % aa. Em 2011 a indústria cresceu 13.9%.

   O investimento em imóveis , que cresceram 27,9% em 2011, se desaceleraram para 18,7% aa em abril.

   As vendas reais no varejo que cresceram 11.6 % em 2011, desaceleraram para 10,7% aa em abril.

   A indústria pesada que cresceu 14,3% em 2011, desacelerou para 8,9% aa em abril.

   O governo adotou algumas medidas pontuais para estimular a expansão de crédito. Porém, apesar da maior liquidez (juros de 90 dias estão no menor nível desde Junho de 2011), a demanda por empréstimos está fraca, indicando que há sim um problema de demanda interna. Como diria aquele famoso economista da Febraban: você pode levar a vaca até o riacho, porém não pode forçá-la a beber água. Os empréstimos bancários, que cresceram 15.8% aa em 2011 ( no ano do aperto monetário chinês!!), estão crescendo a 15,4% aa apenas, apesar dos esforços do governo chinês.  A oferta monetária M2, que cresceu 13,6% em 2011, cresce a 12,8 %aa, o menor crescimento desde 2005.  Para se ter uma ideia, a meta do BC Chinês para o crescimento do M2 para 2012  é de 14%. Ou seja, eles estão ficando cada vez mais longe da meta!

   Os tempos de 10% aa de crescimento na China já acabaram. O Bank of America projeta taxas decrescentes de crescimento para os próximos anos.

   Entre os fatores que irão levar a esta desaceleração o Banco cita:

   As reformas na China vão deixar de ter o mesmo impacto que tiveram no passado, uma vez que a economia já é bastante grande;

   A razão entre o número daqueles que não estão em idade para trabalhar sobre o número daqueles que estão em idade para trabalhar na sociedade chinesa caiu bastante ao longo dos últimos anos em função de fatores demográficos. Isto aumentou bastante a taxa de poupança na economia, aumentando o investimento, e portanto, o crescimento. Porém parece que estes dividendos demográficos estão acabando;

   A oferta de mão de obra jovem e barata vinda do campo está acabando.  Há um certo envelhecimento da população chinesa. E a população rural jovem ainda disponível para ser usada na indústria caiu bastante, já havendo sinais de falta de mão de obra em vários setores da economia, o que tem causado a elevação dos salários em mais de 15% reais por ano.

   A taxa de retorno dos investimentos de capital tendem a cair, pois os investimentos mais rentáveis ( na indústria) estão diminuindo  e sendo substituídos por investimentos em habitação e infra que dão um retorno menor no curto prazo;

   Restrições na oferta de recursos naturais globais. China consome 50% do cobre, do aço, 11% do petróleo, 50% do carão, 45% do alumínio , 30% do arroz e 22% do milho QUE SÃO PRODUZIDOS NO MUNDO TODO. Logo, não dá para continuar crescendo no ritmo atual pois não haverá crescimento na oferta destes produtos que dê conta disto;

   A China está deixando de ser uma economia impulsionada pelos investimentos de capital para ser uma economia de consumo e serviços. Logo, sua taxa de crescimento deverá recuar. O risco é como fazer tal transição sem descarrilhar. A demanda por commodities deve cair e o setor de serviços e tecnologia devem crescer mais rápidos por lá. Com o tempo a China irá deixar de ser um exportador líquido para ser um importador líquido de bens e serviços,  na medida em que seu povo comece a consumir mais e a poupar menos. Com isto ela deixará de acumular tantas reservas.

   Existe contudo o temor que a desaceleração atual continue levando o país a um pouso forçado, similar ao ocorrido com o Japão com sua crise imobiliária dos anos 90. De fato o investimento imobiliário está despencando e levando a uma correção dos preços. Porém a velocidade de queda dos preços dos imóveis não é preocupante e as famílias chinesas são muito pouco endividadas .

   Os mercados, que já estavam assutados com os problemas na Europa, levaram um grande susto com os dados recentes vindos da China. Esperava-se que a economia já estivesse se recuperando a esta altura. Porém o governo chinês tem sido relativamente tímido para tomar as medidas necessárias visando o reaquecimento da economia, aparentemente por razões de política interna. Assim, o risco de uma desaceleração maior da economia chinesa aumentou. Contudo, eu acredito que teremos mais algumas medidas pontuais do governo chinês nos próximos meses para tentar reverter este quadro. Porém não espere nada tão agressivo como o que eles fizeram em 2009.

   Não  precisamos aqui enfatizar o que isto significa para nós. Acho que, em grande parte, a queda de nossa bolsa e da alta do dólar já refletem uma preocupaçao maior dos investidores com a China e seus impactos no Brasil. O Brasil é visto pelos investidores lá fora como uma economia complementar a Chinesa. Portanto, uma queda na atividade por lá seria refletida aqui.

     Fonte: Blog do Ricardo Gallo

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