Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns minutos...

 

Trecho de 'A República', de Platão

Enviado por Gilberto Godoy
trecho-de--a-republica---de-platao

        Trecho do livro 'A República', de Platão:

     "Sócrates? Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas. 

     Glauco? Estou vendo. 

     Sócrates ? Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio. 

     Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros. 

     Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte? 

     Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida? 

     (...) 

     Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado à endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Comentários

Comente aqui este post!
Clique aqui!

 

Também recomendo

  • "E foi então que apareceu a raposa:
    - Bom dia, disse a raposa.
    - Bom dia, respondeu o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
    - Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
    - Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
    (continua)

  •    O blog Mundo de K resgatou uma publicação do Times Literatury Suplement sobre os 100 libros mais influentes da história, com direito a indicação de leitura extra como entrevistas ou resenhas sobre as obras elencadas. O autor do blog faz uma ressalva...   (continua)


  •    Eloá Heise, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, conversa com Rodrigo Simon sobre Fausto, obra do escritor alemão Johann Goethe. Eloá fala sobre a figura histórica de Fausto e a busca do homem pelo sentido da vida.


  •    Aniversário de 115 anos do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Imagino nesse momento, no Paraíso, Drummond, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Antônio Carlos Jobim, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes.   (continua)


  •    Por que será que cada vez mais mãe e pai têm dificuldades de educar os filhos? Cada vez mais os consultórios de terapeutas são procurados por eles, bem intencionados mas desconhecendo o que fazem de errado na educação de seus filhos.   (continua)


  •    Liesel Meminger enfrenta a morte cara a cara três vezes. Sobrevive de cara lavada. De tão impressionada, a Dona Morte, ela mesma, decide contar a história da menina, que se habituou, desde cedo, a roubar livros, como forma de prosseguir a viver e a sonhar em meio a mil palavras perdidas.   (continua)


  •    Eduardo Galeano nasceu em Montevidéu, em 1940. Mais que o Galeano conhecido por qualquer um que já tenha ouvido falar de "uma américa latina de veias abertas", ele é o autor das palavras que andam, do mundo que vaga, dos mais de 30 títulos traduzidos em mais de 20 idiomas.   (continua)


  • Trecho do livro 'Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra', Mia Couto.

       "A vantagem de ser pobre é saber esperar. Esperar sem dor. Porque é espera sem esperança. Mariano sofria sem pressa. Isso, ele me ensinara: o segredo é demorar o sofrimento, cozinhá-lo em lentíssimo fogo, até que ele se espalhe, diluto, no infinito do tempo."   (continua)


Copyright 2011-2022
Todos os direitos reservados

Até o momento,  1 visitas.
Desenvolvimento: Criação de Sites em Brasília